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Fórum de Discussão sobre o Baru
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MensagemEnviado: 30 Ago 2016, 01:02 
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BARU – DYPTERIX ALATA
Muito alegrou-me tomar conhecimento do Projeto Baru, sendo este trabalho realizado sob os auspícios de meu conterrâneo, o Dr. Pedro Oliveira, que não só se dedica à sua profissão como Odontólogo, mas, à sua contribuição com a cultura, a ciência e por que não dizer, à salvação dessa fruta do cerrado, que como outras, assim como o murici, a mama-cadela, a gabiroba, o pequi, o araticum, e uma infinidade de outras espécies típicas desse bioma, correm o risco de ficar apenas na lembrança em páginas de livros, ou sendo mais moderno, em pendrives ou outros apetrechos ainda mais modernos, pela ameaça de extinção.
É mister enfatizar, que a maioria das espécies arbustivas, estão extremamente ameaçadas pelo avanço das pastagens, (gabiroba, araçá, murici miúdo, araticum arbustivo, etc), sendo que as arbóreas,(baru, pequi, jatobá, etc), são ainda um pouco mais poupadas, pois, assim como o baruseiro, além de produzir frutos apreciados e nutritivos para o gado, servem ainda para proporcionar sombreamento, assim como se vê em uma foto da página, um cão utilizando-a para seu descanso, o que se torna o fio de salvação da espécie.
É interessante ressaltar a importância desse tipo de trabalho, que infelizmente é uma luta contra a corrente do progresso, que é visto pelo prisma da expansão econômica do país em termos de produtividade agrícola e pecuária e que sem dúvida é de suma importância para nossa sobrevivência, colocando um e o outro em lados opostos na balança, que apoia-se fortemente sobre o fulcro de opiniões diferentes.
Ressalto informações que tive, quando em visita à Bolívia há alguns anos, quando tive a oportunidade e a satisfação de conhecer pessoas de lá, também envolvidas em projetos de preservação da flora do cerrado, inclusive do baru, que abordaram a importância que tinha outrora, essa leguminosa arbórea, que também existe lá em abundancia, nos seus sitios fronteiriços com o Brasil. Informaram, que os silvícolas que ali habitavam, utilizavam as amêndoas do baru e que inclusive, eram levadas para a parte ocidental do pais, pelos Chasquis, que eram mensageiros que corriam pelas estradas construídas pelos incas, alcançando os altiplanos e servindo de alimento para os povos andinos.
Ao que parece, esse redespertar do interesse pelo baru, retira do quase esquecimento, o valor que apresenta essa fruta do cerrado, pois somente de algum tempo para cá, nos deparamos com maiores informações a respeito das propriedades nutritivas e o consumo humano dos produtos dessa planta, assim como acontece com o Projeto Baru.
Acredito eu, sendo esta minha opinião, que muito ainda há de se descobrir sobre as propriedades a nível medicinal dessa leguminosa, pois, na medicina halopatica, há muito já se utiliza produtos medicinais extraídos inicialmente de plantas as mais variadas possíveis, (sendo posteriormente produzidos em laboratório), do mundo inteiro, sendo que o Brasil é riquíssimo em exemplares que ainda nem foram notados pela ciência. Portanto, há muito ainda que se descobrir e o despertar para essas pesquisas, nascem geralmente de projetos assim, onde mentes jovens e brilhantes encontram objetivo científico para seus estudos.
Conta-se, não posso afirmar tratar-se apenas de lenda, que um camponês, que tinha sua mãe vitimada por insuficiência cardíaca congestiva, com edema generalizado, numa época em que não havia ainda medicamento para tal enfermidade, olhando para as plantas ao redor do local onde morava, observou uma que tinha as flores que lembravam dedos. Apanhou algumas folhas, preparou um chá e o ofereceu à sua mãe, assim mesmo, de forma aleatória e inconsequente. Por sua surpresa e felicidade, no dia seguinte, sua mãe já estava desinchada e passando bem. O camponês, surpreso e feliz, chamou e contou o ocorrido ao médico que os assistia. Esse médico então, começou a estudar a planta e seus princípios ativos. Era a dedaleira do campo, ou Digitalis lanata, da qual se extraiu inicialmente o lanatosidio c, que é o digitálico, famoso e antigo cardiotônico, usado há vários anos pela medicina halopática.
Bem, isso é um conhecimento que trago há anos, mas que não sei de onde surgiu, se lenda ou fato, não posso garantir, mas, deixa a certeza de que as investigações científicas dos chás que eram do conhecimento dos povos antigos, têm fundamento. Diz-se que o baru verde, curtido em cachaça, apresenta propriedades anti-inflamatórias com excelentes resultados para tratamento de artralgias. Verdade ou mito? Seria algum princípio ativo extraído da polpa do fruto pelo álcool? Daí, o crescimento e a importância do estudo científico aprofundado da fitoterapia, como tratamento médico alternativo. Mas, sendo mito ou não, a cachacinha até que em alguns momentos, cai bem, independente de ter baru ou murici em infusão, certo?
Ao meu conterrâneo e amigo, Dr. Pedro, meus parabéns pelo seu precioso trabalho sobre o Dypterix alata, ou seja o Baru!
Planaltina-DF, 12 de agosto de 2016
Venceslau Barbosa da Silva


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